Produtividades muito variadas com La Niña
MT enfrentou excesso de chuvas e RS voltou a sofrer com estiagem

Apesar da influência do fenômeno La Niña, a safra de soja teve bom desempenho na temporada 2025/26 em parte da área de atuação da C.Vale. No Paraná, produtores das regiões mais quentes conseguiram fazer o plantio bem no início de setembro, logo na abertura do zoneamento para a cultura. Na fase inicial, as plantas aproveitaram a regularidade das chuvas, mas com a aproximação do final do ano as precipitações ficaram mais espaçadas e pontuais. O efeito sobre as lavouras se traduziu em grandes variações de produtividade. “Tivemos produtividades de 80, 90 e até 100 sacas por hectare, mas na média, o rendimento ficou entre 65 e 70 sacas”, revela Fernando Taffarel Zanelato, supervisor do Departamento Agronômico da C.Vale.
Em Campo Mourão, centro-oeste do estado, Claudir Bernardi cultivou 194 hectares com soja. A lavoura foi atingida por granizo e ele precisou replantar 150 hectares. Ao longo do ciclo, Bernardi precisou controlar percevejos e fez três aplicações de fungicidas. O rendimento médio da lavoura ficou em 65 sacas/hectare.
CENTRO-OESTE
Em Mato Grosso do Sul, o clima foi de contrastes. Áreas da metade sul, abaixo de Campo Grande, sofreram com estiagens e altas temperaturas. Lavouras da metade norte, como Chapadão do Sul, se beneficiaram de chuvas regulares e em volumes expressivos. Os produtores do estado cultivaram 4,7 milhões de hectares com soja e a projeção da Conab era de um rendimento médio de 52,8 sacas por hectare. O gerente regional da C.Vale para o Mato Grosso do Sul, Jeferson Salattti, calcula que a produtividade da soja no sul do estado foi, aproximadamente, 40% superior à da safra 2024/25.
No maior produtor de grãos do Brasil, o clima correu favorável até praticamente o final do ciclo. A partir de fevereiro, um período de chuvas fortes e prolongadas prejudicou a qualidade e o peso da soja de Mato Grosso. Variedades mais sensíveis foram afetadas por doenças de final de ciclo e perderam rendimento. “A produtividade média foi inferior à da safra passada justamente em função dessas chuvas”, avalia Renato Rambo, gerente regional da C.Vale para o Mato Grosso.
RS
No Rio Grande do Sul, o clima manteve a “tradição” dos últimos cinco anos e a estiagem voltou a castigar as lavouras. Áreas da Fronteira Oeste foram as mais castigadas. As chuvas retornaram na segunda quinzena de fevereiro e interromperam momentâneamente as perdas. No entanto, um novo período seco se estendeu do final de fevereiro ao início de março.
Legenda bernardi
Claudir Bernardi fechou colheita de 194 hectares em Campo Mourão (PR), com rendimento médio de 65 sacas/hectare
Legenda lavoura
Consultor técnico Diórgenes Rossi e Bernardi examinam planta na lavoura antes da colheita
Fonte: C.Vale





