Pai é condenado a 83 anos de prisão pela morte do filho de cinco anos em São Gabriel
Após 13 horas de julgamento, Tiago Ricardo Felber foi condenado por homicídio quadruplamente qualificado, tentativa de homicídio e ameaça contra a ex-esposa. Caso teve grande repercussão e contribuiu para a criação da lei que tipifica o crime de vicaricídio.

Após cerca de 13 horas de julgamento, Tiago Ricardo Felber foi condenado, na noite desta quarta-feira (4), a 83 anos e quatro meses de prisão pela morte do próprio filho, Théo Ricardo Ferreira Felber, de cinco anos. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri de São Gabriel, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.
O crime ocorreu em março de 2025, quando o menino foi arremessado ainda vivo de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, em São Gabriel. A criança não resistiu aos ferimentos provocados pela queda.
Os jurados reconheceram a responsabilidade de Felber pelos crimes de tentativa de homicídio, homicídio quadruplamente qualificado e ameaça contra a ex-esposa, Abigail Ferreira. No homicídio, foram consideradas as qualificadoras de motivo fútil, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, dissimulação e crime cometido contra menor de 14 anos.
Além da pena de prisão, a sentença determinou o pagamento de indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares de Théo.
Julgamento durou cerca de 13 horas
A sessão do Tribunal do Júri teve início por volta das 10h desta quarta-feira, no Foro de São Gabriel, e foi encerrada aproximadamente às 23h. Durante o julgamento, oito pessoas foram ouvidas.
A primeira testemunha a prestar depoimento foi Abigail Ferreira, mãe da criança. Em uma fala que durou cerca de uma hora e meia, ela relatou que manteve um casamento de dez anos com Felber. Segundo Abigail, durante o relacionamento ocorreram episódios de agressões verbais, com ofensas e xingamentos, mas não havia registros de violência física.
Ela também afirmou que Théo tinha grande confiança no pai e que Felber não aceitava o término do relacionamento.
Como aconteceu o crime
Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Théo morava com a mãe e passava alguns dias sob os cuidados do pai. A investigação apontou que o menino teria sido agredido por Felber em 24 de março de 2025. No dia seguinte, foi lançado de uma ponte de aproximadamente 15 metros de altura.
O laudo pericial apontou traumatismo cranioencefálico provocado pela queda como causa da morte.
Após o crime, Felber teria encaminhado um áudio à família, confessando o que havia feito. A gravação, com nove segundos de duração, foi recebida por uma prima da mãe da criança.
Na mensagem, o condenado disse: “Viu, guria, seja forte, fiz uma loucurinha, agora, tá? Guenta o coração para o resto da vida: atirei o Théo da [ininteligível] da ponte agora”.
Caso contribuiu para mudança na legislação
A morte de Théo provocou grande comoção e também ganhou repercussão nacional, contribuindo para o debate sobre a violência praticada contra mulheres por meio de seus filhos ou familiares.
O caso foi um dos que inspiraram a Lei 5.384/2026, que instituiu o crime de vicaricídio no Brasil. A legislação trata da violência vicária, caracterizada quando uma pessoa utiliza filhos ou outros familiares como instrumentos para provocar sofrimento psicológico ou emocional a uma mulher.
A lei foi sancionada em 9 de abril de 2026, representando um avanço no reconhecimento e no enfrentamento desse tipo de violência.
Fonte: GZH



