Ação contra abigeato termina com prisão e apreensão de meia tonelada de carne imprópria em Pelotas
Cinco mandados foram cumpridos na manhã desta quinta-feira em pontos ligados a um esquema de abate clandestino às margens dos arroios Pelotas e São Gonçalo
Uma operação deflagrada nesta quinta-feira em Pelotas resultou na prisão em flagrante de um suspeito por maus-tratos a animais e na apreensão de quase meia tonelada de carne considerada imprópria para consumo. A ação teve como alvo um grupo investigado por comercializar ilegalmente carne obtida a partir de furtos de gado na região.
Nomeada Operação Sangradouro, a ofensiva foi comandada pela 9ª Delegacia de Polícia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (9ª Decrab), com apoio da Vigilância Sanitária municipal. As equipes cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em locais como a Colônia Z3, o Laranjal e áreas ribeirinhas dos arroios Pelotas e São Gonçalo.
Além da prisão em flagrante, os responsáveis pelos estabelecimentos vistoriados foram autuados por crimes contra as relações de consumo e por infrações sanitárias.
A delegada Paula Vieira explica que as investigações já vinham monitorando um esquema de abate clandestino de bovinos e equinos na região:
— Investigávamos a carneada clandestina de bovinos e também de equinos às margens dos arroios Pelotas e São Gonçalo. Identificamos um grupo suspeito de participar de diversos casos de abigeato na região e, nesta quinta-feira, cumprimos cinco ordens judiciais, incluindo buscas em dois estabelecimentos comerciais e em um abatedouro clandestino — afirma a delegada.
A estrutura usada pelo grupo
Às margens do Arroio Pelotas, a polícia localizou um dos pontos centrais do esquema: uma instalação usada para o abate irregular de animais. No local, foram apreendidos cerca de 100 quilos de carne, ferramentas usadas no abate e uma embarcação apontada pela investigação como parte da logística do grupo.
Segundo a delegada, o transporte dos animais variava conforme a espécie:
— Pelo que conseguimos comprovar, os bovinos eram transportados mortos e amarrados pela água, rebocados por embarcações. Já os equinos eram conduzidos vivos pelas margens do rio até o ponto onde acontecia o abate. Depois, a carne era comercializada ilegalmente — detalha Paula Vieira.
Já nos dois comércios fiscalizados na Colônia Z3, a polícia recolheu mais cerca de 400 quilos de carne bovina que estava armazenada fora das normas sanitárias.
A origem exata de todo o material ainda é incerta, segundo a delegada:
— Além da carne bovina, encontramos outros tipos de carne que agora serão submetidos à análise para identificação da origem e da espécie. Havia, inclusive, carnes que aparentam ser de animais silvestres, mas isso ainda será confirmado por perícia — acrescenta.
O responsável pelo abatedouro clandestino não foi encontrado durante a ação, mas já foi identificado e deve responder ao processo policial. A Polícia Civil segue apurando a origem da carne apreendida, a identificação de outros envolvidos e uma possível ligação do esquema com furtos de animais registrados recentemente em propriedades rurais da região.
Fonte: GZH



