CASO GABRIEL – Primeiro dia de júri é marcado por forte emoção e depoimentos em São Gabriel
Após relatos impactantes de familiares e da polícia na segunda-feira, o julgamento dos réus acusados de matar jovem de 18 anos foi retomado nesta manhã.
O julgamento dos três policiais militares acusados pela morte de Gabriel Marques Cavalheiro entrou em seu segundo dia nesta terça-feira (30), no Fórum de São Gabriel. A sessão estava marcada para retornar às 9h e dar continuidade à instrução processual. No total, 20 testemunhas devem ser ouvidas no decorrer do júri popular. Os réus Arleu Júnior Jacobsen, Cléber Renato de Lima e Raul Veras Pedroso acompanham os trabalhos presencialmente.
Na segunda-feira (29), o primeiro dia de sessão terminou por volta das 21h30. Pela manhã, os trabalhos se concentraram no sorteio dos jurados, sendo interrompidos temporariamente depois das 13h por causa do jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
A mãe da vítima, Rosane Machado Marques, abriu os depoimentos. Ela relatou que o filho se mudou para a cidade para prestar o serviço militar e morava com um tio. Rosane destacou que o jovem queria seguir carreira no Exército e desabafou sobre como sua vida mudou radicalmente após a perda.
O pai de Gabriel, Anderson da Silva Cavalheiro, foi o segundo a depor e descreveu o filho como um jovem obediente. Anderson afirmou que a família só soube da versão dos policiais cinco dias após o desaparecimento de Gabriel.
Durante o interrogatório desse depoimento, houve um momento de tensão após um questionamento da defesa sobre a jaqueta de Gabriel. O episódio levou a juíza Liz Grachten a intervir e solicitar que a testemunha respondesse apenas às perguntas formuladas.
O terceiro a falar foi o delegado José Soares Bastos, responsável pelo inquérito policial. Ele afirmou que as agressões sofridas causaram a morte de Gabriel, baseando-se em laudos periciais que apontam ferimentos compatíveis com os relatos das testemunhas. Segundo o delegado, a análise das imagens e do GPS da viatura desmentiu a versão inicial de “carona” dada pelos réus.
Bastos detalhou que a decisão de levar o jovem até a barragem ocorreu dentro da viatura e apontou que as condições em que o corpo foi localizado indicavam que Gabriel não teria condições de caminhar sozinho no local. Durante o depoimento, houve um novo momento de tensão quando um dos advogados de defesa questionou a investigação, sendo rebatido pelo delegado.
Um morador das proximidades de onde o corpo foi localizado fechou as oitivas da noite.
Na saída do Fórum, os pais de Gabriel concederam uma entrevista coletiva. “Por que meu filho foi morto da maneira que foi morto? Voltamos à ditadura? Não importa quantos dias dure, mas queremos justiça pelo nosso filho”, expressou a mãe, Rosane.
O promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim, responsável pela acusação, também conversou com a imprensa antes de entrar no prédio e garantiu o peso das evidências. “Temos provas contundentes da morte do jovem e que serão todas apresentadas”, declarou.
Por outro lado, os defensores Jean Severo, Maurício Custódio e Vânia Barreto afirmaram publicamente que acreditam na absolvição dos policiais militares. Demonstrando a linha que pretendem seguir nos próximos depoimentos, Maurício Custódio afirmou: “O verdadeiro assassino do Gabriel está solto”.
Fonte: Caderno7



