Rastreabilidade bovina é aposta para ampliar competitividade da pecuária gaúcha
O Rio Grande do Sul ampliou, no início de 2026, as discussões sobre a implementação da rastreabilidade bovina, alinhando as ações estaduais ao Plano Nacional de Identificação e Rastreabilidade de Bovinos e Bubalinos (PNIB), coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os debates ocorreram nos dias 27 e 28 de janeiro, em reuniões realizadas na Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), em Porto Alegre, e na sede do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa), em Esteio.
Os encontros reuniram representantes do governo federal, do Estado e do setor produtivo, incluindo técnicos do Serviço Veterinário Oficial (SVO), produtores rurais, frigoríficos e integrantes das cadeias produtivas. A pauta incluiu a troca de informações sobre o ciclo de implementação da rastreabilidade, estratégias para integração de sistemas, definição de cronogramas e o papel de estados e produtores no processo.
Durante as reuniões, o secretário estadual da Agricultura, Edivilson Brum, destacou a maturidade do debate e o potencial do Rio Grande do Sul para agregar valor à produção pecuária. Segundo ele, o Estado possui um rebanho qualificado, além de tradição na manutenção da sanidade animal e um corpo técnico preparado para enfrentar os desafios da modernização do setor.
O Fundesa também teve participação relevante nas discussões. O presidente da entidade, Rogério Kerber, ressaltou a importância do alinhamento entre Estado, União e cadeia produtiva para ampliar a eficiência sanitária e a competitividade do rebanho gaúcho. Kerber ainda lembrou dos avanços recentes na defesa sanitária e da necessidade de atualização tecnológica dos sistemas de controle.
Plano nacional e projeto piloto
Representando o Mapa, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, classificou o PNIB como um programa inclusivo e estratégico para o país. O plano prevê a identificação de aproximadamente 220 milhões de bovinos e bubalinos em até oito anos, com adoção obrigatória do sistema a partir de 2033, acompanhando as exigências do mercado internacional.
O diretor do Departamento de Saúde Animal do ministério, Marcelo Mota, apresentou detalhes da base nacional de dados, que será gerida pelo governo federal. A operacionalização do sistema, no entanto, contará com a participação direta dos estados e do setor produtivo.
No Rio Grande do Sul, o secretário adjunto da Seapi, Márcio Madalena, destacou os avanços do projeto piloto estadual, lançado em agosto de 2025. Atualmente, cerca de 50 propriedades participam voluntariamente da iniciativa, testando brincos de identificação e a integração das informações ao Sistema de Defesa Agropecuária (SDA). A avaliação é de que o Estado reúne condições para antecipar etapas do cronograma nacional.
Rastreabilidade e competitividade
A rastreabilidade individual permite acompanhar todo o ciclo de vida do animal, desde o nascimento até o abate, reunindo informações sobre raça, idade, vacinação e movimentação do rebanho. Para autoridades e representantes do setor, o sistema fortalece o controle sanitário, amplia a transparência da produção e contribui para a segurança alimentar.
Além disso, a medida tende a consolidar a posição do Brasil — e especialmente do Rio Grande do Sul — no mercado internacional de carnes, que exige cada vez mais garantia de origem e qualidade dos produtos.0
Os encontros realizados no final de janeiro representaram mais um avanço na construção de um modelo de rastreabilidade que integra sanidade, tecnologia e competitividade, considerados pilares para o futuro da pecuária gaúcha.
Fonte: Grupo Aplateia




