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Brasil celebra 94 anos do voto feminino e reforça debate sobre participação das mulheres na política

Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, o Brasil marca 94 anos de uma das maiores conquistas da cidadania: o direito ao voto feminino. Oficializado em 1932, o sufrágio das mulheres representou uma ruptura histórica em um país onde a política, até então, era espaço quase exclusivo dos homens.

A conquista foi garantida com a promulgação do Código Eleitoral de 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, que passou a reconhecer o direito das mulheres ao voto e à elegibilidade. Embora inicialmente o voto feminino fosse facultativo e restrito a mulheres casadas com autorização dos maridos, viúvas e solteiras com renda própria, a medida abriu caminho para a universalização do direito nas décadas seguintes.

Luta histórica

O reconhecimento do voto feminino foi resultado de anos de mobilização de movimentos liderados por mulheres que defendiam maior participação na vida pública. Entre as pioneiras estavam professoras, jornalistas e ativistas que enfrentaram resistência social e política para reivindicar igualdade de direitos.

A médica e ativista Bertha Lutz foi uma das principais vozes do movimento sufragista no Brasil, articulando campanhas, debates e pressão política para garantir a inclusão das mulheres no processo eleitoral.

A primeira eleição com participação feminina ocorreu ainda em 1933, quando mulheres votaram e também puderam concorrer a cargos públicos. No mesmo ano, Carlota Pereira de Queirós tornou-se a primeira deputada federal eleita no país.

Avanços e desafios

Passadas mais de nove décadas, o direito ao voto está consolidado, mas a presença feminina na política ainda é considerada baixa. Apesar de as mulheres representarem a maioria do eleitorado brasileiro, elas ocupam uma parcela menor dos cargos eletivos em comparação aos homens.

Nas últimas décadas, políticas de incentivo, como a exigência de percentual mínimo de candidaturas femininas pelos partidos, buscaram ampliar essa participação. Ainda assim, especialistas apontam que desafios culturais, financeiros e estruturais seguem limitando o avanço da representatividade.

Democracia mais inclusiva

A data é lembrada como um marco não apenas para as mulheres, mas para a democracia brasileira. O voto feminino ampliou a base de participação política e fortaleceu o princípio da igualdade de direitos.

Ao celebrar os 94 anos dessa conquista, o país também é convidado a refletir sobre os próximos passos para garantir não apenas o direito de votar, mas a efetiva presença das mulheres nos espaços de decisão.

O 24 de fevereiro, portanto, vai além de uma efeméride histórica: é símbolo de transformação social e de uma luta que segue em construção.

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