Inverno gaúcho e o mofo: como identificar os riscos, combater o problema e evitar prejuízos na estação mais úmida do ano
Especialistas alertam para os impactos da alta umidade relativa do ar na saúde respiratória e na conservação dos imóveis no Rio Grande do Sul.
Com a chegada do inverno no Rio Grande do Sul, as baixas temperaturas acompanhadas de altos índices de umidade relativa do ar criam o cenário ideal para o aparecimento do mofo e do bolor nas residências. O fenômeno, comum na rotina dos gaúchos devido ao hábito de manter janelas e portas fechadas para conter o frio, vai além de um problema estético: trata-se de um risco real à saúde pública e à integridade das estruturas habitacionais. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a exposição prolongada a fungos em ambientes fechados pode desencadear ou agravar crises de asma, rinite alérgica e outras infecções respiratórias.
Para combater o problema de forma eficaz, é necessário primeiro compreender a diferença entre os tipos e a gravidade da infestação. O bolor é a fase inicial do fungo, apresentando um aspecto acinzentado ou esbranquiçado e textura aveludada, geralmente mais fácil de ser removido por estar na superfície. Já o mofo representa um estágio mais avançado e severo, caracterizado por manchas escuras (pretas ou esverdeadas) que penetram na estrutura de paredes, gessos, madeiras e tecidos. A gravidade é considerada alta quando há comprometimento de grandes superfícies, presença de odor forte e persistente ou quando o surgimento está atrelado a infiltrações estruturais.
O impacto financeiro causado pela falta de prevenção também é significativo. De acordo com orientações do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREA-RS), a umidade acumulada pode deteriorar móveis de MDF e madeira, estragar roupas e calçados, descascar pinturas e, em casos mais graves, comprometer rebocos e instalações elétricas. O custo para reparar os danos materiais e realizar a manutenção corretiva de um imóvel afetado costuma ser substancialmente maior do que o investimento em medidas preventivas de ventilação e impermeabilização.
Para conter a proliferação de forma segura, especialistas em vigilância sanitária orientam a adoção das seguintes medidas:
- Proteção individual: Utilize equipamentos de proteção (EPIs), como luvas de borracha e máscara (N95 ou PFF2), evitando a inalação direta de esporos durante a limpeza.
- Superfícies laváveis: Aplique água sanitária diluída em água (proporção de 1 para 3), deixando agir por cerca de 20 minutos antes de enxaguar e secar completamente.
- Locais não laváveis: Utilize álcool 70% ou vinagre branco para auxiliar na neutralização do fungo.
- Prevenção diária: Mantenha a circulação de ar diária no imóvel, afaste móveis das paredes externas e utilize desumidificadores para garantir um ambiente saudável.



