Quadrilha que usava imagens de menina gaúcha com câncer para desviar doações é alvo de ação policial em cinco estados
Investigação revela que criminosos utilizavam clonagem de voz e sites clonados para desviar dinheiro que seria do tratamento.
A imagem de uma menina de três anos de Campo Bom, que luta contra o câncer, foi usada por golpistas para criar campanhas de arrecadação falsas. Para desmantelar o esquema, a Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira a Operação Sophia no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Até o momento, doze pessoas foram presas pela delegacia especializada em crimes cibernéticos.
A polícia busca cumprir 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. Uma das frentes da ação ocorreu em Passo Fundo (RS), contra um suspeito de atuar no braço financeiro da quadrilha.
O investigado de Passo Fundo teria usado sua empresa para abrir uma conta de passagem, recebendo Pix de doadores enganados. A estimativa é de que essa conta específica tenha arrecadado cerca de R$ 31,7 mil, repassados logo depois para outros membros do grupo criminoso. De acordo com as investigações, ele cedeu sua estrutura de forma consciente.
A fraude consistia em criar páginas idênticas a plataformas como o “Vakinha”, usando fotos e vídeos reais que a família postava no Instagram.
Para ampliar o alcance do golpe e atrair novas vítimas, os criminosos faziam uso de anúncios patrocinados nas redes sociais. Eles também usavam intermediadoras de pagamento, laranjas e empresas de fachada para dificultar o rastreamento dos valores desviados.
A investigação revelou uma estrutura criminosa organizada, com divisão clara de tarefas entre seus membros. O bando contava com técnicos especializados na criação de sites falsos e no uso de inteligência artificial para clonagem de voz, sincronização labial e criação de deepfakes. Além disso, os criminosos ativamente buscavam novas crianças em estado de vulnerabilidade para continuar aplicando os golpes.
O caso começou a ser investigado após denúncia da mãe da criança. Apenas nessa campanha fraudulenta que deu origem ao inquérito, foram identificados e rastreados R$ 294,5 mil, embora as contas ligadas à quadrilha tenham movimentado mais de R$ 1,7 milhão no período investigado.
Fonte: GZH



