Dificuldades logísticas afetam abastecimento de combustíveis em Bagé
Postos de combustíveis em Bagé têm enfrentado dificuldades para repor seus estoques nos últimos dias, situação que já resultou em falta pontual de produtos em algumas redes. O cenário é atribuído, principalmente, à demora nas entregas realizadas pelas distribuidoras, em meio a um período de instabilidade no mercado de derivados de petróleo.
A rede SIM, por exemplo, registrou unidades sem combustível devido à lentidão no processo de abastecimento. Em contrapartida, o Grupo GBI informou que conseguiu manter o fornecimento em seus postos. Segundo o diretor executivo Gustavo Barrera, a empresa trabalha com várias distribuidoras de grande porte, como Texaco, Ipiranga, Petrobras e Shell, o que contribui para maior segurança no abastecimento.
Ainda assim, o executivo ressalta que a situação exige atenção. A logística segue funcionando, porém com maior pressão operacional. Entre os efeitos percebidos estão o aumento no tempo de carregamento, a busca por bases alternativas e limitações momentâneas na oferta de alguns combustíveis. “Há mais dificuldades, mas estamos conseguindo manter o abastecimento”, afirmou.
O cenário também é influenciado por fatores externos, como a instabilidade internacional provocada por conflitos no Oriente Médio, que afetam diretamente o setor de combustíveis. Empresas como a TRR Pampa Diesel informam que os preços vêm sendo atualizados diariamente, além de alertarem para oscilações nos estoques e a necessidade de planejamento antecipado por parte dos clientes.
A realidade local acompanha um quadro mais amplo no estado. Dados da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) indicam que ao menos 142 prefeituras já enfrentam falta de diesel, número que corresponde a cerca de 45% dos municípios participantes do levantamento.
Diante disso, administrações municipais têm priorizado serviços essenciais, especialmente na área da saúde, como o transporte de pacientes. Por outro lado, atividades que dependem de máquinas pesadas, como obras, começam a ser suspensas.
A presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, alerta que a situação pode se agravar caso não haja medidas para garantir o abastecimento. Segundo ela, serviços como transporte escolar e deslocamento de pacientes para outras cidades também correm risco de serem afetados. A entidade pretende levar a demanda ao governo estadual e buscar apoio federal.
Enquanto isso, o setor segue acompanhando a cadeia de distribuição e adotando estratégias para minimizar os impactos, em um cenário que ainda exige cautela nos próximos dias.
Fonte: Jornal Minuano




