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Fake news nas eleições: como escapar de seis armadilhas e não compartilhar mentiras

Especialista no tema, Cristina Tardáguila aponta preocupação com áudios enviados por WhatsApp

Diretora-adjunta da International Fact-Checking Network (IFCN), na Flórida, a jornalista Cristina Tardáguila aponta seis principais armadilhas às quais os brasileiros devem ficar atentos ao longo da campanha eleitoral deste ano para não compartilhar mentiras (veja os detalhes abaixo). A principal preocupação dela são os áudios de WhatsApp.

— Podemos esperar uma avalanche de áudios com conteúdos falsos, porque é barato de fazer, tem difusão gigantesca, como já vimos na pandemia, é fácil de compartilhar, não consome tantos dados e tem um caráter psicológico muito forte. As pessoas realmente acreditam no que ouvem — afirma a Cristina, fundadora da agência Lupa, especializada em checagem de informações.

Na avaliação dela, a saída para o problema é rebater os boatos com agilidade e conscientizar as pessoas de que é preciso ter cuidado ao compartilhar textos, vídeos, áudios e fotografias.

— A gente precisa aprender a conviver com a desinformação, porque ela jamais vai acabar, e saber que ela vai aparecer e que é preciso agir com velocidade — destaca a jornalista.

Seis pontos para ficar atento

1) Ataques ao processo eleitoral

Segundo Cristina, a exemplo do que ocorre nas eleições dos EUA, aqui também haverá mais ataques e questionamentos ao processo eleitoral, à própria Justiça Eleitoral e, como já ocorreu em 2018, às urnas eletrônicas. Ela afirma que isso ocorrerá sobretudo em locais onde não há candidato favorito.  

2) Uso da covid-19

A onda de boatos, nas eleições deste ano, será amplificada por toda a desinformação envolvendo o coronavírus, um prato cheio para as fake news. Conforme Cristina, “veremos um tsunami de mentiras potencializado pela politização da covid-19”.  

3) Imagens fora de contexto

Será preciso atenção redobrada ao uso de fotografias antigas, fora de contexto, para, por exemplo, acusar candidatos de desrespeitarem o distanciamento social. Esse formato de desinformação está muito presente nas eleições atuais nos EUA. 

4) Conspiração em vídeos

Cristina projeta, também, uso ainda maior de vídeos para disseminar dúvidas sobre o processo eleitoral e para difundir teorias da conspiração de todo tipo, que muitas vezes são difíceis de checar. 

5) Áudios mentirosos

A especialista prevê “avalanche” de áudios falsos via WhatsApp, porque “é barato de fazer, tem difusão gigantesca, como já se viu na pandemia, é fácil de compartilhar, não consome tantos dados e tem um caráter psicológico muito forte”. 

6) Ódio à imprensa

Por fim, Cristina diz que “vamos enfrentar as eleições no momento em que a imprensa está sendo atacada por absolutamente todos os lados, em um nível extremo de ódio e descrédito”, o que tende a facilitar a difusão de mentiras.   

Como se prevenir

A primeira medida, aconselha Cristina Tardáguila, é “se observar”:

— Se a informação mexeu muito com você, te deixou transtornado demais, é preciso esperar um pouco e checar, porque as notícias falsas são construídas justamente para mobilizar o lado emotivo, não o racional. Essa é a golden rule (regra de ouro). A notícia falsa vai tocar nas suas crenças, nos seus medos. 

Outra dica da especialista: escolha uma página de checagem para conferir todos os dias e ficar informado sobre mentiras que viralizaram e que podem chegar até você. 

— Ao acordar, você toma café, escova os dentes e verifica as últimas checagens. É como uma higiene mental, uma proteção. A probabilidade de você receber a última mentira checada é real — afirma Cristina. 

Agências de checagem

Essas empresas são organizações que têm como objetivo examinar a veracidade de informações divulgadas na internet sobre acontecimentos ou pessoas. Por meio do programa de enfrentamento a desinformação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) firmou parceria com três delas, que você pode acompanhar. Basta acessar os sites:

  1. Aos Fatos 
  2. Boatos.org 
  3. Lupa 

Projeto Comprova

Formado por uma coalizão de 28 veículos de imprensa de todo o Brasil, o projeto Comprova — que tem a participação de GZH — é mais uma arma contra as mentiras. 

A iniciativa checa textos, imagens e áudios compartilhados nas redes sociais e em aplicativos, seguindo metodologias desenvolvidas pela First Draft, organização internacional que pesquisa desinformação e oferece treinamento para jornalistas. Para conferir as checagens, é só acessar o site projetocomprova.com.br.

Você também pode denunciar conteúdos suspeitos ou falsos e sugerir verificações pelo WhatsApp (11) 97795-0022 ou por formulário disponível na página.

Como identificar uma notícia falsa em 10 passos

  1. Se o título conter adjetivos chamativos e apelativos, desconfie
  2. Leia o texto, não fique apenas no título
  3. Preste atenção: é comum o texto de notícias falsas conter erros de português
  4. Em geral, não há fonte identificada na reportagem ou ela é desconhecida
  5. Uma notícia falsa geralmente vem como fotomontagens ou vídeos manipulados, muitas vezes de forma grosseira
  6. Confira sempre a data da notícia. Às vezes, tenta-se esconder isso. A informação pode até ter sido verdadeira no passado, mas, agora, pode estar fora de contexto
  7. Vale pesquisar no Google se a notícia em questão foi publicada em outros sites, em especial de veículos tradicionais. Caso contrário, desconfie
  8. Observe a autoria do texto. Muitas vezes, notícias falsas não têm a identificação do autor ou ele é desconhecido. Jogue o nome no Google para ver se há referências
  9. Verifique se a URL (endereço eletrônico) é de um site confiável. É frequente haver o compartilhamento de notícias de portais que nem sequer existem
  10. Cuidado com conteúdos de páginas sensacionalistas

Outras iniciativas  

Veja outras ações adotadas pela Justiça Eleitoral contra a disseminação de inverdades

Programa de enfrentamento à desinformação

Em 2019, foi lançado o Programa de Enfrentamento à Desinformação com Foco nas Eleições 2020, com seis eixos, envolvendo desde melhorias na organização interna para lidar com o problema até mudanças na legislação, como as descritas acima. Até agora, 49 instituições aderiram ao programa, entre elas a Associação Brasileira de Imprensa e a Associação Nacional de Jornais. Mais detalhes no site justicaeleitoral.jus.br/desinformacao.

Fato ou Boato?

Na página Fato ou Boato?, a Justiça Eleitoral passou a esclarecer conteúdos duvidosos, de forma didática e acessível. Há vídeos rebatendo mentiras sobre urna eletrônica, totalização dos votos e outros mitos eleitorais. A página conta, também, com materiais desenvolvidos por instituições parceiras, entre elas agências de checagem que aderiram ao Programa de Enfrentamento à Desinformação.

Campanha nacional

Desde o início do mês, está em curso a campanha “Se for fake news, não transmita”, lançada pelo TSE com o objetivo de alertar a população para o problema. As peças são estreladas pelo biólogo Atila Iamarino, youtuber e divulgador científico que tem atuado contra notícias falsas na pandemia do coronavírus.

Fonte: GaúchaZH

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