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Dom Pedrito – As dificuldades enfrentadas por um cadeirante

Mesmo estando em vigor a Lei de Acessibilidade, muitos órgãos públicos e comércios não disponibilizam de rampas de acesso especial para portadores de deficiência física.

 

A falta de rampas nas calçadas e a grande quantidade de escadas são grandes problemas enfrentados pelas pessoas que tem dificuldade de locomoção. Igor Portilho, 32 anos, é cadeirante e falou à reportagem da Qwerty Portal de Notícias sobre os problemas que enfrenta na sociedade e como foi o acidente que levou a sua paraplegia. 

 

Quanto ao seu problema físico, você já nasceu com ele ou foi por motivo de algum acidente?
Sofri um acidente, já tem mais ou menos 11 anos, caí de um andaime e como conseqüência dessa queda adquiri uma paraplegia, tive minha coluna quebrada ao meio, vértebras T 11 e T 12 deslocadas e lascadas e minha medula espinhal sofreu uma lesão completa, rompeu-se, precisei fazer uma cirurgia para poder sentar.

 

Atualmente você mora com quem?
Ainda moro com meus pais e irmãos, minha luta pela total independência ainda continua, mas um dia se chega lá.

 

Existe muito preconceito das pessoas? Se existe como ele é?
Existe sim, mas não me afeta, não permito isso, sou consciente de minhas limitações como também de minhas potencialidades, não deixo que cara feia de pessoas ignorantes me perturbe, sou maior que isso, tenho uma boa mentalidade, sei me colocar no lugar das pessoas e tento entender o porquê de serem preconceituosas, e na maioria dos casos isso acontece por não terem capacidade nenhuma de convivência com o diferente como também pela falta de informação, isso acontece muito da parte dos adultos, as crianças já são mais curiosas, perguntam por que o uso da cadeira de rodas, então me vejo na obrigação de responder exatamente como aconteceu, isso pra mim não é problema, pois nada as livra de um dia passar por uma situação parecida com a minha, sendo assim é extremamente necessária à informação. Essas informações deveriam ser colocadas nas escolas e também pelos pais, debatê-las, questioná-las, seria muito interessante.

 

Você está estudando. Porque surgiu o interesse de terminar o ensino médio? Pretende fazer alguma faculdade?
Eu decidi retomar os estudos por criar vergonha na cara, vou fazer uma faculdade de direito que é o que mais me agrada, meu interesse pela faculdade de direito não apenas por gostar é também para poder brigar por meus direitos como deficiente, direitos estes que são pisoteados e deixados de lado por governantes irresponsáveis, e em DOM PEDRITO infelizmente ainda não vi e nem tenho esperança de ver, alguém do meio político que brigue pelos direitos das pessoas com deficiência, defender nossos direitos é o motivo maior.

 

Quais os maiores problemas que um cadeirante enfrenta na sociedade? E em Dom Pedrito qual o problema maior?

O que mais me afeta é a inacessibilidade em vários locais como, Câmara de Vereadores que ainda chamam de "A Casa do Povo", clubes que não possuem acesso nenhum. O Clube Comercial ainda tem uma entrada alternativa, mas é uma rampa imensa que eu necessito de no mínimo três pessoas para me auxiliar, sem banheiros adaptados, nada diferente do Country Clube. A Prefeitura também, nenhum tipo de acesso, talvez não façamos parte da sociedade, né? Necessitamos de mais rampas de acesso como também a reforma das existentes, que se não tivermos um pouco de habilidade com a cadeira de rodas se torna impossível subir em algumas, não podemos deixar de falar nas calçadas também, algumas nem existem e as que existem muitas vezes intransitáveis.

 

Que recado você gostaria de dar aos pedritenses e as pessoas que de alguma forma te ajudam ou te ajudaram?
Quero dizer aos que leram esta reportagem, que quando acontece um acidente como este que aconteceu comigo e nos deixa vivo, temos a obrigação de dar continuidade à vida, seja como for, sem pernas, sem braços, andando ou não, pois foi uma oportunidade que nos foi dada para que pudéssemos ser alguém melhor, com uma visão diferente da vida, para que pudéssemos valorizar mais os pequenos momentos, principalmente em família e também dizer que materialismo, a arrogância ou gorda conta bancária jamais irão ajudar no máximo suprir as necessidades, nada mais que isso. E gostaria de agradecer em especial a minha família e aos amigos de verdade, os amo mais que tudo.

 

Reportagem: Elliézer Garcez
Jornalista Responsável: Marcelo Brum – FENAJ 6634
Setor de jornalismo: portal@qwerty.com.br

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